O mundo entrou nesta quinta-feira (29) com quatro assuntos ao mesmo tempo no radar: a guerra entre EUA e Irã, o petróleo acima de US$ 100, o Federal Reserve sem espaço para cortar juros e a eleição de meio de mandato nos EUA, na próxima terça (3). Tudo isso chega ao Brasil num momento em que a Bolsa já vinha machucada pela eleição presidencial.
Abaixo, o que está confirmado e o que ainda é especulação, tema por tema.
Irã e Estreito de Ormuz: o petróleo continua caro
Os EUA estão em guerra com o Irã, e a principal preocupação dos mercados é o Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do Golfo.
- Minas no estreito: a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que três petroleiros explodiram ao atingir minas numa rota não autorizada. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) disse que a informação é falsa e que as rotas principais foram limpas e estão sendo usadas por navios comerciais.
- Nova ofensiva? Segundo o Wall Street Journal, os EUA avisaram países árabes do Golfo para se prepararem para uma campanha militar curta e intensa depois da eleição americana. Questionado, Trump disse que não podia responder, mas que "tudo é possível". Não há decisão anunciada.
- Negociação: o Irã diz que só negocia se os EUA suspenderem o bloqueio aos seus portos. Washington quer concessões no programa nuclear. O Catar tenta um acordo envolvendo inspetores da ONU em troca de alívio de sanções.
- Região: a Arábia Saudita interceptou mísseis dos houthis na terça e na quarta, e o Departamento de Estado mandou funcionários não essenciais deixarem o país.
Preço do petróleo: o Brent, referência internacional, fechou a quarta perto de US$ 114 o barril. O WTI, referência americana, era negociado perto de US$ 102 na madrugada desta quinta.
Fed segura os juros e já se fala em alta
Na quarta (28), o Federal Reserve manteve os juros americanos entre 3,75% e 4% ao ano. A votação foi de 10 a 2: dois diretores queriam subir 0,25 ponto.
O motivo é a inflação. O índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 0,6% em setembro e acumula 3,7% em 12 meses, quase o dobro da meta de 2%. Pesam a energia mais cara por causa da guerra, o efeito das tarifas e a demanda forte ligada à inteligência artificial. O mercado já trabalha com alta de juros em dezembro.
Na Europa, o Banco Central Europeu manteve a taxa de depósito em 2,5%.
Eleição nos EUA na terça (3)
Os americanos votam no dia 3 de novembro para renovar a Câmara e parte do Senado. Trump fez campanha em Ohio nesta semana, e Barack Obama também está nos palanques. O resultado define quanta força o governo terá no Congresso nos próximos dois anos, inclusive para tarifas e gastos.
Para o mercado, a data também importa por causa do Irã: se a reportagem do Wall Street Journal se confirmar, a semana seguinte à eleição pode ter mais volatilidade no petróleo.
O resto do mapa
- Rússia e Ucrânia: Moscou afirma ter derrubado 1.214 drones ucranianos numa só noite, número sem confirmação independente. O Kremlin disse que a União Europeia não tem lugar nas negociações.
- Coreia do Norte: Kim Jong Un mandou as tropas se prepararem para a guerra, e o país lançou mísseis de curto alcance.
- Israel: com a apuração parcial, o bloco de Netanyahu tem 53 cadeiras, abaixo das 61 necessárias para governar.
- Europa: a diferença entre os juros da França e da Alemanha chegou ao maior nível em 15 anos, e o gás natural europeu foi ao maior preço desde 2022.
- Rússia e África: Putin recebeu líderes africanos em Moscou com fertilizantes na pauta. O Brasil é grande comprador de adubo russo.
E o Brasil nisso tudo?
O cenário externo se somou ao estresse da eleição brasileira.
| Indicador | Quarta (28) |
|---|---|
| Ibovespa | 171.006 pontos (−2,68%), menor nível desde agosto |
| Dólar comercial | R$ 5,3466 (−0,04%) |
| Selic | 13,75% ao ano |
| Juros dos EUA | 3,75% a 4% ao ano |
Juros altos lá fora tornam mais difícil o Banco Central brasileiro continuar cortando a Selic. Segundo levantamento citado pela imprensa, a aposta numa pausa nos cortes saltou de 17,5% para 62% em um dia. O Copom decide na próxima quarta-feira (4 de novembro), um dia depois da eleição americana.
Petróleo caro tem dois lados por aqui: ajuda empresas como a PRIO, que subiu na quarta, mas pressiona combustíveis e inflação.
O que isso muda para o seu dinheiro
- Juros altos por mais tempo: se a Selic parar de cair, a renda fixa pós-fixada continua rendendo bem. Veja como investir no Tesouro Selic e compare na calculadora CDB x poupança.
- Gasolina e passagem: petróleo acima de US$ 100 tende a chegar aos combustíveis e às passagens aéreas. Vale rever o orçamento do mês.
- Dólar: guerra e juros altos nos EUA costumam fortalecer a moeda americana. Se vai viajar, comprar aos poucos evita pegar o pior dia. Veja se vale a pena comprar dólar agora.
- Quer começar a investir? Montamos um guia para quem está começando agora, com a Bolsa em queda: como começar a investir em 5 passos.
Com informações de InfoMoney, CNN Brasil, Fox News, Wall Street Journal, TV Sim Brasil e Destaques da Geopolítica.
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Taxas, regras e valores podem mudar: confira sempre nas fontes oficiais antes de decidir.