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Mundo e mercado

Irã, Ormuz, Fed e eleição nos EUA: o que está acontecendo no mundo e como isso chega ao seu bolso

Petróleo acima de US$ 100, Fed sem cortar juros, eleição americana na terça e tensão no Golfo. Veja o resumo do cenário internacional desta quinta e o efeito no dólar, nos juros e na Bolsa.

Irã, Ormuz, Fed e eleição nos EUA: o que está acontecendo no mundo e como isso chega ao seu bolso
Foto: Unsplash
  • O Fed manteve os juros dos EUA entre 3,75% e 4% e o mercado já aposta em alta em dezembro, com a inflação americana em 3,7%.
  • A guerra com o Irã mantém o petróleo acima de US$ 100, e o Wall Street Journal diz que os EUA avaliam nova ofensiva depois da eleição de 3 de novembro.
  • No Brasil, isso pesa sobre juros e câmbio: a aposta numa pausa nos cortes da Selic subiu para 62%.

O mundo entrou nesta quinta-feira (29) com quatro assuntos ao mesmo tempo no radar: a guerra entre EUA e Irã, o petróleo acima de US$ 100, o Federal Reserve sem espaço para cortar juros e a eleição de meio de mandato nos EUA, na próxima terça (3). Tudo isso chega ao Brasil num momento em que a Bolsa já vinha machucada pela eleição presidencial.

Abaixo, o que está confirmado e o que ainda é especulação, tema por tema.

Irã e Estreito de Ormuz: o petróleo continua caro

Os EUA estão em guerra com o Irã, e a principal preocupação dos mercados é o Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do Golfo.

  • Minas no estreito: a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que três petroleiros explodiram ao atingir minas numa rota não autorizada. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) disse que a informação é falsa e que as rotas principais foram limpas e estão sendo usadas por navios comerciais.
  • Nova ofensiva? Segundo o Wall Street Journal, os EUA avisaram países árabes do Golfo para se prepararem para uma campanha militar curta e intensa depois da eleição americana. Questionado, Trump disse que não podia responder, mas que "tudo é possível". Não há decisão anunciada.
  • Negociação: o Irã diz que só negocia se os EUA suspenderem o bloqueio aos seus portos. Washington quer concessões no programa nuclear. O Catar tenta um acordo envolvendo inspetores da ONU em troca de alívio de sanções.
  • Região: a Arábia Saudita interceptou mísseis dos houthis na terça e na quarta, e o Departamento de Estado mandou funcionários não essenciais deixarem o país.

Preço do petróleo: o Brent, referência internacional, fechou a quarta perto de US$ 114 o barril. O WTI, referência americana, era negociado perto de US$ 102 na madrugada desta quinta.

Fed segura os juros e já se fala em alta

Na quarta (28), o Federal Reserve manteve os juros americanos entre 3,75% e 4% ao ano. A votação foi de 10 a 2: dois diretores queriam subir 0,25 ponto.

O motivo é a inflação. O índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 0,6% em setembro e acumula 3,7% em 12 meses, quase o dobro da meta de 2%. Pesam a energia mais cara por causa da guerra, o efeito das tarifas e a demanda forte ligada à inteligência artificial. O mercado já trabalha com alta de juros em dezembro.

Na Europa, o Banco Central Europeu manteve a taxa de depósito em 2,5%.

Eleição nos EUA na terça (3)

Os americanos votam no dia 3 de novembro para renovar a Câmara e parte do Senado. Trump fez campanha em Ohio nesta semana, e Barack Obama também está nos palanques. O resultado define quanta força o governo terá no Congresso nos próximos dois anos, inclusive para tarifas e gastos.

Para o mercado, a data também importa por causa do Irã: se a reportagem do Wall Street Journal se confirmar, a semana seguinte à eleição pode ter mais volatilidade no petróleo.

O resto do mapa

  • Rússia e Ucrânia: Moscou afirma ter derrubado 1.214 drones ucranianos numa só noite, número sem confirmação independente. O Kremlin disse que a União Europeia não tem lugar nas negociações.
  • Coreia do Norte: Kim Jong Un mandou as tropas se prepararem para a guerra, e o país lançou mísseis de curto alcance.
  • Israel: com a apuração parcial, o bloco de Netanyahu tem 53 cadeiras, abaixo das 61 necessárias para governar.
  • Europa: a diferença entre os juros da França e da Alemanha chegou ao maior nível em 15 anos, e o gás natural europeu foi ao maior preço desde 2022.
  • Rússia e África: Putin recebeu líderes africanos em Moscou com fertilizantes na pauta. O Brasil é grande comprador de adubo russo.

E o Brasil nisso tudo?

O cenário externo se somou ao estresse da eleição brasileira.

Indicador Quarta (28)
Ibovespa 171.006 pontos (−2,68%), menor nível desde agosto
Dólar comercial R$ 5,3466 (−0,04%)
Selic 13,75% ao ano
Juros dos EUA 3,75% a 4% ao ano

Juros altos lá fora tornam mais difícil o Banco Central brasileiro continuar cortando a Selic. Segundo levantamento citado pela imprensa, a aposta numa pausa nos cortes saltou de 17,5% para 62% em um dia. O Copom decide na próxima quarta-feira (4 de novembro), um dia depois da eleição americana.

Petróleo caro tem dois lados por aqui: ajuda empresas como a PRIO, que subiu na quarta, mas pressiona combustíveis e inflação.

O que isso muda para o seu dinheiro

Com informações de InfoMoney, CNN Brasil, Fox News, Wall Street Journal, TV Sim Brasil e Destaques da Geopolítica.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Taxas, regras e valores podem mudar: confira sempre nas fontes oficiais antes de decidir.

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