Depois de uma segunda-feira de pânico, o mercado brasileiro começa esta terça-feira (27) com sinais de alívio. Antes da abertura, o EWZ, fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, e os recibos de ações (ADRs) de Petrobras, Itaú e Bradesco subiam no pré-mercado americano.
Isso indica uma possível recuperação parcial do Ibovespa, mas não garante que ela se sustente ao longo do dia. A volatilidade deve continuar alta.
Como a segunda-feira terminou
O primeiro pregão depois do segundo turno, que reelegeu o presidente Lula, teve a maior queda percentual da Bolsa em um dia desde março de 2020. A B3 acionou o circuit breaker às 9h57 e parou as negociações por 30 minutos.
| Indicador | Sexta (23) | Fechamento de segunda (26) |
|---|---|---|
| Ibovespa | 205.088 pontos | 176.608 pontos (−13,88%) |
| Mínima do Ibovespa no dia | — | 169.516 pontos |
| Dólar comercial | R$ 4,99 | cerca de R$ 5,40 (+8,2% a +8,4%) |
| Máxima do dólar no dia | — | R$ 5,60 |
| Juro futuro para janeiro de 2029 | 12,6% | 15,25% ao ano |
O fechamento do dólar varia um pouco conforme a cotação usada: R$ 5,403 (+8,21%) no fechamento do mercado à vista e R$ 5,4066 (+8,36%) em outro levantamento. Foi a maior alta diária do dólar em mais de duas décadas.
Entre as ações, as maiores perdas foram de varejistas e empresas sensíveis aos juros, como Magazine Luiza (−58%), Hapvida (−55%) e C&A (−47%). Os bancos também caíram forte. Veja quanto caiu cada banco e se o seu dinheiro corre risco.
A agenda desta terça
O dia tem compromissos importantes do Banco Central, que podem influenciar o câmbio e os juros:
- 11h: o presidente do BC, Gabriel Galípolo, dá entrevista coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira. A fala será acompanhada de perto pelo mercado.
- 11h30: leilão de rolagem de swap cambial de até US$ 4 bilhões, instrumento que ajuda a dar proteção contra a alta do dólar.
- 12h: operação compromissada de até R$ 5 bilhões em títulos públicos.
No Tesouro Direto, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação desta semana e manteve apenas o de Tesouro Selic. Na segunda, também fez recompras extraordinárias de títulos para conter a disparada das taxas. Entenda o que aconteceu com o Tesouro Direto.
Juros: de corte para alta
A mudança mais importante para o bolso aconteceu na curva de juros. Na sexta, o mercado dava como quase certo um corte da Selic, hoje em 13,75% ao ano, na reunião do Copom de 3 e 4 de novembro.
Depois da eleição, as apostas viraram. Ao longo da segunda, a curva chegou a indicar alta já em novembro; no fim da tarde, apontava manutenção na próxima reunião e altas em dezembro e janeiro. A explicação dada por analistas é o dólar mais caro, que pressiona a inflação, e a piora nas expectativas sobre as contas públicas.
O banco Morgan Stanley avalia que o dólar pode chegar a R$ 6 se o governo não sinalizar ajustes nas contas públicas nas próximas semanas. É uma projeção, não uma certeza.
O que isso muda para o seu dinheiro
- Ações e fundos de ações: dias de recuperação depois de quedas fortes são comuns, mas não significam que o pior passou. Vender no pânico transforma perda no papel em perda real. Veja o que fazer quando o mercado cai.
- Poupança, CDB e Tesouro Selic: não sofrem com a queda da Bolsa. Se a Selic voltar a subir, o Tesouro Selic e os CDBs pós-fixados passam a render mais.
- Crédito: juros futuros mais altos tendem a encarecer financiamentos e empréstimos nas próximas semanas. Evite contratar dívida nova sem necessidade.
- Dólar: quem tem viagem marcada pode comprar aos poucos para diluir a oscilação. Veja o que fazer com o dólar em alta.
Entenda também, em linguagem simples, como a Selic, o CDI e os juros futuros afetam o seu bolso.
Com informações do InfoMoney, da Reuters, do BPMoney e da CNN Brasil.
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Taxas, regras e valores podem mudar: confira sempre nas fontes oficiais antes de decidir.