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Cartão de crédito

Dívida do cartão não pode passar do dobro: entenda o teto de juros do rotativo e como usar a regra a seu favor

Desde 2024, juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar de 100% do valor original da dívida. Veja como funciona, exemplos e o que fazer se o banco cobrar a mais.

Dívida do cartão não pode passar do dobro: entenda o teto de juros do rotativo e como usar a regra a seu favor
Foto: Unsplash
  • Juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem somar mais de 100% da dívida original.
  • Uma fatura de R$ 1.000 não paga pode virar, no máximo, R$ 2.000.
  • O teto não torna o rotativo barato: ainda é uma das dívidas mais caras do país.

Se você deixou de pagar a fatura inteira do cartão, existe um limite para o quanto essa dívida pode crescer. Desde janeiro de 2024, os juros e encargos cobrados no rotativo e no parcelamento da fatura não podem somar mais de 100% do valor original da dívida. Em outras palavras: uma dívida de R$ 1.000 pode chegar, no máximo, a R$ 2.000, não importa quanto tempo passe.

A regra veio de uma lei aprovada em 2023, dentro do programa Desenrola, e foi regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Veja como ela funciona e como usar a seu favor.

O que é o rotativo

O rotativo é o crédito que entra automaticamente quando você paga menos que o valor total da fatura, por exemplo só o mínimo. O que ficou sem pagar vira dívida, com juros entre os mais altos do mercado.

Pelas regras do Banco Central, o rotativo só pode ser usado até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, se a dívida não for quitada, o banco precisa oferecer um parcelamento com juros menores, ou você paga o saldo.

Como funciona o teto de 100%

O limite vale para a soma de juros e demais encargos (tarifas, multas e outras cobranças da operação), tanto no rotativo quanto no parcelamento da fatura que vem depois dele.

Situação Valor original Máximo que pode ser cobrado a mais Total máximo
Fatura não paga R$ 500 R$ 500 R$ 1.000
Fatura não paga R$ 1.000 R$ 1.000 R$ 2.000
Fatura não paga R$ 3.000 R$ 3.000 R$ 6.000

Antes da regra, uma dívida de cartão podia crescer muitas vezes o valor original em um ou dois anos. Agora, ela para de crescer quando os encargos chegam ao mesmo valor da dívida inicial.

O que o teto não faz

O teto não deixa o rotativo barato. Ele só impede que a dívida cresça sem fim. Os juros mensais continuam altíssimos, e chegar ao limite de 100% significa pagar o dobro do que você gastou.

Também vale saber que:

  • o parcelamento sem juros das compras não muda;
  • a regra vale para dívidas contratadas desde janeiro de 2024;
  • IOF é imposto, não é encargo do banco, e é cobrado à parte.

Como usar a regra a seu favor

1. Saia do rotativo o quanto antes. Cada mês no rotativo aproxima a dívida do dobro. Se não dá para pagar a fatura inteira, compare o parcelamento da fatura com um empréstimo pessoal ou consignado, que costumam ter juros bem menores. Trocar dívida cara por barata é um dos passos mais eficientes para sair do vermelho.

2. Leve a dívida para outro banco. A mesma resolução do CMN prevê a portabilidade do saldo devedor do cartão (rotativo e parcelamento) para outra instituição, sem custo. Se outro banco oferecer juros menores, a troca pode valer a pena.

3. Confira se a cobrança passou do limite. Peça ao banco o extrato da dívida, com o valor original e todos os encargos. Se a soma de juros e encargos for maior que o valor original, você tem base para contestar.

4. Reclame nos canais certos. Primeiro no SAC e na ouvidoria do banco. Se não resolver, registre reclamação no site do Banco Central e no Consumidor.gov.br.

Exemplo prático

Imagine uma fatura de R$ 1.200 em que você pagou só o mínimo e deixou R$ 1.000 sem pagar.

  • No mês seguinte, esse valor entra no rotativo e começa a receber juros.
  • Na fatura seguinte, o banco oferece parcelar o saldo.
  • Somando juros e encargos do rotativo e do parcelamento, o total cobrado não pode passar de R$ 2.000.

Mesmo assim, você terá pago até R$ 1.000 a mais pelo mesmo gasto. Por isso, a melhor saída continua sendo evitar o rotativo.

Perguntas frequentes

O teto vale para dívidas antigas? Não. Ele vale para dívidas contratadas a partir de janeiro de 2024. Dívidas anteriores seguem as condições da época.

O parcelamento da fatura também tem o limite? Sim. O teto soma os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura.

Pagar o mínimo da fatura é seguro? Não. Pagar o mínimo joga o resto no rotativo, que tem juros entre os mais altos do mercado. Use só em emergência e saia no mês seguinte.

Posso negociar a dívida do cartão? Pode, direto com o banco ou em plataformas de negociação. Veja o passo a passo em como sair das dívidas.

Conclusão

A dívida do cartão agora tem limite: no máximo o dobro do valor original. Mas o teto é um freio, não uma solução. Saia do rotativo rápido, compare com crédito mais barato, use a portabilidade se outro banco cobrar menos e confira se a cobrança respeitou o limite. Para não voltar ao problema, organize as contas com um orçamento mensal simples.

Com informações da Forbes Brasil e do Money Times.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Taxas, regras e valores podem mudar: confira sempre nas fontes oficiais antes de decidir.

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